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Brasil continuará com economia 'bipolar' em 2022, mesmo com avanço do PIB


A economia brasileira deverá zerar em 2021 as perdas de atividade causadas pela pandemia do coronavírus. Apesar de estimativas de um avanço do PIB de, pelo menos, 4% ano ano, o crescimento que acompanhará o país no ano que vem deve se manter desigual e mantendo o setimento de uma economia "bipolar", com prosperidade de alguns setores, como o agronegócio, e dificuldade de outros com o aumento da desigualdade e do desemprego. A avaliação é do economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale.


As previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano têm sido ajustadas para cima depois da divulgação da atividade econômica do Brasil pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no primeiro trimestre, que veio com crescimento de 1,2%, acima do esperado.


O economista pontua que os dados de atividades, como o varejo, em abril, que foi o mês com o maior impacto das medidas de contenção da segunda da covid-19, apontam para um segundo trimestre também melhor do que anteriormente esperado. "Nessa trajetória sinalizada no primeiro semestre, eu diria que a gente consegue neste ano entregar tudo o que se perdeu no ano passado, está caminhando para isso", avalia.


Com a alta dos preços da commodities, a agropecuária foi a atividade que mais cresceu no primeiro trimestre.


Ao mesmo tempo, o Brasil registrou no primeiro trimestre o recorde de desemprego da série histórica iniciada em 2012. A situação atingia 14,7 milhões de pessoas ao fim dos três primeiros meses do ano.

Mesmo com a previsão de retomada dos demais setores da economia até o final do ano, Vale acredita que o país deva entrar em 2022 ainda com a dicotomia.


"Os Estados que estão tendo forte crescimento de PIB agora são justamente os da fronteira agrícola, do centro-oeste, do interior do país", afirmou. "São Estados que têm cerca de 70% da sua economia dependendo do agronegócio. Há um estímulo forte nesse setor que acaba se espalhando para o resto das economias nessas regiões. Então a agricultura e as commodities vão dar um tom importante especialmente nessas regiões em 2022", avalia.


"O problema é justamente a outra parte. Há uma economia que está muito bem nessa questão das commodities, e há uma economia 'tradicional' que está muito mal."


Além do desemprego, que afeta 14,7% da população e se soma a um contingente adicional de 5,9% de desalentados, que desistiram de procurar emprego, e outros 30% de subocupados, o país seguirá enfrentando uma inflação elevada. A alta de preços, que foi a maior em 25 anos em maio, deve afetar principalmente a população de baixa renda.

Torun

10/06/2021 09h02

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