Campos Neto diz BC fará "o que for preciso" para cumprir meta de inflação

As declarações sugeriram um tom mais otimista por parte do presidente do BC, que falou em surpresas positivas com a economia.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse na noite de quinta-feira que os números e as expectativas fiscais melhoraram recentemente, o que explica parte do comportamento mais benigno do real, e que o BC vai fazer "o que for preciso" para garantir o cumprimento da meta de inflação.


As declarações foram feitas em entrevista gravada e exibida pelo Jornal da CNN e sugeriram um tom mais otimista por parte do presidente do BC, que falou em surpresas positivas com a economia, menor impacto sobre a atividade vindo do atual momento da pandemia, ajuste nas contas externas, expectativa de aceleração do ritmo de vacinação e reabertura "razoável" da economia no segundo semestre.


Ele lembrou surpresas consecutivas com números da arrecadação acima do esperado, num contexto em que analistas esperam que a dívida pública feche este ano mais próxima de 85% do PIB, abaixo dos cerca de 100% previstos no começo do ano.


"Então de fato a parte fiscal recente em termos de prêmio de risco tem melhorado. Inclusive isso explica um pouco o comportamento melhor que o câmbio tem tido nos últimos tempos", disse Campos Neto.


"Quando a gente começa a ver que a arrecadação está surpreendendo, que parte do dinheiro não foi gasta, que no fim a trajetória que vai ser resultante de todas as ações do governo é uma trajetória bem melhor, o câmbio também responde."


O chefe do BC destacou o que ele chamou de surpresas positivas com a economia no primeiro e segundo trimestres e lembrou que algumas instituições financeiras começaram a rever para cima as estimativas para o desempenho do PIB em 2021, com migração para uma média de 4% de crescimento, a despeito da segunda onda da pandemia e da preocupação de agora com novas variantes do coronavírus.


"Uma coisa que está muito clara nos nossos estudos é que para um mesmo nível de distanciamento social o impacto econômico tem sido menor", disse. "O crescimento tem surpreendido para cima, e nós não entendemos que o ajuste (nos juros) que seja necessário vai frear esse crescimento."

Torun

28/05/2021 10h35