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Clubhouse pode ser aposta do marketing para os negócios?

Atualizado: 1 de mai. de 2021


Quando a rede social Clubhouse caiu nas graças dos brasileiros nas últimas semanas, a montadora Audi não perdeu tempo. Usou a rede social como mais um dos espaços que a Internet garante para os negócios contarem suas histórias e tentar gerar algum impacto.

O Clubhouse funciona como um fórum, em que diversas salas temáticas são criadas para discussões simultâneas, sobre algum tema específico. Tudo por voz. Uma boa forma de defini-lo é um “podcast ao vivo”.

Os usuários podem seguir clubes que discutem assuntos que são do seu interesse e buscar salas dentro de temas gerais como esportes, religião, línguas e tecnologia.

Apesar de o aplicativo ter sido desenhado para pessoas, ele pode ser uma oportunidade para marcas.

Pessoas serão porta-vozes


O Clubhouse ainda não tem, porém, um perfil específico para páginas institucionais, de empresas e negócios. O foco é realmente nas pessoas. Isso pode estimular que as marcas adotem posturas de utilizar os funcionários como porta-vozes, personificando sua identidade e estimulando discussões de impacto para seus negócios.


Pioneirismo ou cautela?

Uma encruzilhada que algumas marcas podem se ver, e que explica por que a maioria ainda não entrou no aplicativo, é a oposição entre já entrar no Clubhouse para ser pioneiro ou fazer a entrada com algum planejamento, ou até esperar que a rede crie políticas e possibilite perfis institucionais.

“As marcas estão tateando ainda, e isso é aos poucos. Estão aprendendo, vendo o que funciona e o que não funciona. Ao mesmo tempo, tem a questão do ineditismo e do pioneirismo. A plataforma é muito barata e fácil. Não demanda pré-produção, câmera. Outro ponto legal é que as conversas são nichadas”, explica o professor de marketing do Insper e da PUC-RS Renato Mendes.

Sem filtro


Apesar de ter a opção de salas em que só pessoas definidas podem falar, o Clubhouse acaba sendo uma rede social sem filtros quando alguém “levanta a mão” e é autorizado a falar. Isso pode ser um problema para empresas mais sensíveis à exposição;


“O marketing costuma não gostar de surpresas. Entrar no Clubhouse envolve aceitar que isso envolve riscos”, opina Renato Mendes.

Antes de entrar no Clubhouse, o professor Mendes destaca alguns pontos de reflexão para os profissionais de marketing. Primeiro, é necessário se familiarizar com a rede, entendendo a etiqueta dela e como funciona.


Em segundo lugar, é verificar se há indícios de que seu público está ali dentro. Na visão do professor Renato Mendes, a rede social parece ser frequentada por pessoas mais velhas. Como o aplicativo é exclusivo para iPhones, há também um corte de renda.

Em terceiro, também é importante checar qual tema se quer abordar e como explorar a audiência para isso.


Topo, meio ou fundo de funil?


No marketing, os canais e os conteúdos podem ser classificados conforme o seu propósito na jornada de compra do consumidor. Lives no Youtube e postagens em blogs sobre assuntos genéricos, não necessariamente ligados à marca, são o topo do funil, que atraem pessoas por aquele tema, e não necessariamente pelo seu produto.


O Clubhouse tem uma vocação para essa posição de topo de funil, segundo o professor Renato Mendes. É um lugar para criar reforço de marca, com o chamado "awareness". Ali, uma possível conversão é mais difícil.


Os indicadores (ou KPIs) que as marcas devem ficar atentas nesses casos são a quantidade de pessoas impactadas.


E o futuro?


A pergunta que fica é se a rede social conseguirá manter o apelo depois do frenesi inicial, causado principalmente pela entrada de personalidades como Elon Musk.

Como a rede é exclusiva para o sistema operacional iOS, da Apple, ainda pode ter um forte crescimento de público se decidir funcionar nos sistemas Android.


Independentemente se ela veio para ficar ou não, as marcas devem começar a entrar nela mais fortemente nas próximas semanas, segundo Renato Mendes, que já foi procurado por empresas para prestar assessoria.


Se você realmente quer ter uma marca que sobreviva aos próximos anos, é necessário entender que negócios são criados e atingem números estratosféricos em aparelhos como esse que está na sua mão.


E sobre clubhouse, como nas outras redes, quem chega cedo bebe água limpa.

Jéssica Froihlich

Torun

18/02/2021



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