Economistas e aposentados consideram aumento do INSS insuficiente para cobrir gastos.

Atualizado: 3 de mai. de 2021


Beneficiários da Previdência Social conheceram na quarta-feira (13) os índices de reajuste que incidirão sobre suas aposentadorias, pensões e demais proventos. O Ministério da Economia publicou no Diário Oficial da União (DOU) portaria que oficializa correção de 5,45% dos benefícios acima de um salário mínimo pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).


O valor segue o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), conforme determina a legislação previdenciária. O teto da aposentadoria passou de R$ 6.101,06 para R$ 6.433,57.


A portaria também oficializou em R$ 1.100,00 (mil e cem) o mínimo a ser pago em aposentadorias, pensões por morte, auxílio-doença e auxílio reclusão, entre outros benefícios especiais. Esse é o valor equivalente ao salário mínimo para 2021, que pela lei serve de piso para benefícios do INSS. Neste ano, o salário mínimo foi reajustado em 5,29%, com base em estimativa do governo sobre o INPC.


— Não é o reajuste que o aposentado ou pensionista precisa para cobrir todo seu aumento de custos em 2020, mas ficou menos pior — resume José Pedro Kuhn, presidente da Federação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas do Estado do Estado (Fetapergs).


Conforme a Secretaria Especial da Previdência e do Trabalho, no Rio Grande do Sul serão atingidos 2,547 milhões de beneficiários, que é o total de pessoas que recebem pelo Regime Geral. Destes, 1,5 milhão (58,9%) recebem até um salário mínimo.


— O reajuste reflete uma inflação artificial, que é bem diferente do aumento real que aposentados e pensionistas tiveram no ano passado, com fortes aumentos em alimentação e medicamentos — afirma Kuhn.


Economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo concorda que os percentuais aplicados pelo governo Federal, ainda que obedeçam ao padrão mínimo exigido por lei, ainda estão longe de equilibrar o aumento do custo de vida nos últimos 12 meses. Ela avalia que a pandemia mudou o perfil do consumo que é refletido no cálculo do INPC, e, portanto, o indicador não reflete a realidade de 2020.


Alimentação em casa, que foi o grupo de gastos que mais subiu em 2020, teve um peso relativamente menor no índice em relação ao seu impacto real no bolso. Já outros tipos de consumo, como lazer e transportes, mantiveram o peso no INPC mesmo que tenham deixado de ter a mesma importância no dia a dia.


— Apesar de ser equivalente à inflação, esta correção não vai ser percebida como recomposição de poder de compra da população — analisa.


Oscar Frank, economista-chefe da Câmara dos Dirigentes Lojistas da Capital (CDL-POA), entende que a situação fiscal do país, agravada pelos elevados gastos públicos em razão da pandemia, não permite uma revisão maior de aposentadorias, pensões e demais benefícios. Mas concorda que o aumento pelo INPC está longe de cobrir a alta de gastos, principalmente para a população mais pobre, que compromete fatias maiores do salário com alimentos.


— Qualquer discussão que envolva correções maiores precisa estar embasada em reformas que controlem os gastos públicos, abrindo espaço no orçamento para que, eventualmente, venham a ser implementadas — afirma.

Fonte: INSS e Ministério da Economia

Torun

18.01.2021