Planalto quer caçar aliados de Mourão temendo "conspiração do impeachment"

Atualizado: 3 de mai. de 2021


Jair Bolsonaro nunca confiou em Hamilton Mourão. Quando o ex-capitão, que era candidato à presidência, foi vítima de um ataque com faca, ordenou que seu filho Eduardo Bolsonaro assumisse a campanha em um leito de hospital para evitar as atrocidades do general. No governo, por motivos que só ele sabia, passou a acreditar que o agente queria derrubá-lo, e suspeitou que o general grampeava as suas conversas no Palácio Da Alvorada.


Agora, desde a criação do governo, as suspeitas do presidente se espalharam pelo território de Hamilton Mourão.


A revelação do site "O Antagonista" é que Ricardo Roesch, assessor do Congresso, vai abordar o subchefe do WhatsApp, e discutir a possibilidade de impeachment do presidente não chocou o valor facial de Bolsonaro.


Mesmo pela incerteza do método, ninguém acredita que o consultor vá atender ao pedido do patrão (sexta-feira, Roosevelt foi demitido por Mourão; ele negou ter escrito o e-mail e alegou que seu telefone foi hackeado)


No entanto, ninguém suspeita que a "conspiração de consultores" como a trapalhada vem sendo chamada no Palácio do Planalto, só vingaria em condições ambientais favoráveis, caso pressuposto da estufa do anexo II do mesmo prédio (onde está o gabinete de Mourão) — e talvez de outros ambientes.


É onde entra a pulga que foi parar atrás da orelha de Bolsonaro.


Em algumas partes das notícias que os conselheiros parlamentares do vice-presidente negaram ter escrito, parece que "Mourão dividiu a Ala militar"


Diz o texto: "Antes, Heleno [general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional e o mais próximo ministro militar de Bolsonaro] dominava, agora estão divididos — capitão está errando muito na pandemia. General Mourão é mais preparado e político".


A pulga consiste na suspeita de que existam, no entorno do presidente, militares que se aliaram a Mourão e agora conspiram contra Bolsonaro.


Um assessor presidencial diz não ter dúvidas de que esses militares existem: "É preciso agora saber se eles estão dentro ou fora do Palácio do Planalto". E, claro, quantas estrelas carregam nos ombros.


As teorias conspiratórias sempre atormentaram as noites de Bolsonaro. Agora, o ex-capitão tem um bom motivo para passá-las em claro.


Hoje, em meio à batalha na reta final das eleições do Congresso, em que Rodrigo Maia afirmou ter a carta do impeachment aprovada em sua manga, Mourão foi às redes manifestar apoio ao capitão:

Torun

01/02/2021